Eternamente Meg – um exemplo de amor ao próximo.

Por vezes fico imaginando que Meg deveria ter nascido gente. Desde que chegou em casa, com onze dias de vida ainda “bebê” de mamadeira tornou-se muito responsável e acima de tudo amável, embora as vezes arredia.

Na sua adolescência aprendeu a brincar, comer na hora certa, fazer as necessidades fora de casa – e ainda que estivesse “apertada” esperava alguém para lhe abrir a porta. E parecia sorrir com os seus latidos fazendo festa e derramando amor para todos nós.

Era como se fosse a menina da casa. E era assim considerada. Ah, Meg não tinha mesmo que ter nascido gente, pois com certeza não seria apaixonada e fiel a ponto de esquecer algumas broncas que recebesse para se entregar de forma desinteressada a todos os humanos de nossa casa.

Não é por acaso que os caninos são considerados “o melhor amigo do homem”. A esperteza de Meg e o cumprimento do dever iam além da nossa imaginação. Essa mestiça de Fox paulistinha, sem raça definida, começava a trabalhar cedo indo ao jardim buscar o jornal todos os dias.

Ai de quem tentasse impedir. Sabia a hora de recolher a correspondência pressentindo a chegada do carteiro. Andava só com as patas traseiras atrás de quem chegasse sem lhe dar atenção. Fazia também suas chantagens para ganhar uma porção de ração fora de hora, pegando chinelos ou meias, o que estivesse em seu alcance. Ganhar um presente era a senha para devolver os objetos que carregava nos dentes.

O tempo passou, com Meg sempre sendo a alegria do nosso cotidiano e nas férias de fim de ano exultava com as viagens para Porto Belo (SC), sendo sempre a primeira a entrar no carro. Com 15 anos foi vitimada por um câncer de fígado, mas sempre teve uma enorme vontade de viver e de agradar seus donos. Quando deixou de ter a mesma vitalidade foi a primeira a se recusar dormir na cama de seus “pais” e “irmãos”. E olha que ela adorava um cobertor, da cabeça às patas.

Meg nos deixou no dia 18 de agosto de 2010, quando sentiu fortes dores no corpo e precisou que autorizássemos a eutanásia para não vê-la sofrer, uma situação que havia sido diagnosticada 18 meses antes. Só que em março de 2009 recusamos sacrificá-la, pois sua missão não estava completa, pois ela própria lutava para vencer a doença.

Meg ganhou um lugar no nosso jardim e vai ficar para todo o sempre na ternura e na sinceridade daquele cantinho de saudade, como um exemplo de vida a ser seguido pelos humanos.

ALBERTO SIMÕES